A ex-miss que perdeu tudo para o crack está voltando à vida no Bom Samaritano

Anete Cabral Espíndola tem 58 anos e foi Miss Florianópolis em 1977. Ela é natural da capital catarinense e conta que teve uma vida glamourosa, na alta sociedade. “Era cheia de mimos e levava uma vida de rainha”, diz a ex-modelo. Porém, a vida lhe levou por caminhos que nunca imaginava trilhar e, depois de muito luxo, a socialite conheceu um lixo que levou ao fundo do poço: o crack.

Anete (à esquerda) com a Missionária Roberta, coordenadora

Anete (à esquerda) com a Missionária Roberta, coordenadora

O avó materno de Anete foi o terceiro engenheiro civil formado no Brasil, o pai trabalhava no Ministério da Agricultura e a mãe, na Assembleia Legislativa do Estado. Ela trabalhava como “manequim” – nomenclatura dada às jovens modelos da sua época – e desfilava desde os 12 anos de idade para lojas da cidade e em eventos do governo. “Comecei cedo porque eu tinha 1,71 metros com 12 anos”, conta Anete que era chamada para diversos eventos da cidade e estava com frequencia nas colunas sociais.

Em 1977, para esquecer um ex-noivo, decidiu se inscrever no Concurso Miss Florianópolis e foi a vencedora. Dali partiu para a competição estadual, o Miss Santa Catarina, mas acabou desclassificada por desrespeitar as regras do concurso. “Não podia ir em boate e eu fugia de madrugada do hotel para ir a festas”.

O pai dela era alcoólatra e viciado em drogas. “Fui criada com violência familiar, ele não batia na minha mãe, mas era agressivo com os filhos. Quando eu passava nas ruas era chamada de filha de maconheiro, mas meu pai negava. Já a minha mãe, nunca usou droga nenhuma”.

Na juventude, Anete bebia socialmente, e com 18 anos provou diversas drogas, entre elas a maconha, mas parou de usar. “Me desliguei das drogas, casei com um médico e criei meu filho”. Os anos passaram e veio a separação: “Me divorciei porque ele me traía”, explica.

Um tempo depois do divórcio, ela entrou em depressão e passou a fazer tratamento em uma clínica. Neste local encontrou-se com um ex-namorado que não via há muitos anos e voltaram a se encontrar. “Nos apaixonamos e fomos morar juntos, ele usava crack, me ofereceu a droga, eu provei e gostei”.

A queda foi instantânea. “Fui direto para o crack e nas primeiras vezes já estava viciada, causa dependência muito rápido, é a desgraça do ser humano”, destaca ela. Anete, aos 40 anos, estava viciada na “pedra” e começou a vender tudo o que tinha.

“Vendi tudo, todos os móveis da minha casa, as minhas roupas de grife, perdi tudo. Cheguei no Bom Samaritano há quatro meses somente com a roupa do corpo, foi tudo para a droga. O crack só leva à tragédia, à desgraça”.

Ela lembra que chegou a pedir dinheiro nas ruas para sustentar o vício. “Eu pegava receita com a minha psiquiatra e pedia dinheiro no farol para comprar drogas, e dizia que era para comprar meus remédios. Me humilhei para traficante por causa do crack, só não vendi o meu corpo, isso eu não fiz”.

20140303_124255Dos bens que possuía só restou o apartamento, herança da família, que hoje é ocupado por seu filho. O filho de Anete tem 30 anos e também é usuário de crack. Ele morou um tempo com o pai em Curitiba para estudar e ali conheceu o vício. Ela conta que chegou a usar crack junto com o filho quando este veio embora para Florianópolis.

Depois de tanto sofrimento e sem mais esperanças de se levantar, Anete encontrou com uma vizinha que lhe falou de Jesus e convidou-a para ir à igreja. Chegando lá, ela foi encaminhada ao Bom Samaritano onde está fazendo o seu tratamento e se mostra muito feliz com a nova oportunidade que teve na vida.

Aqui eu conheci a Jesus, estou em paz e não quero ir embora. Temos todo apoio, a coordenadora Roberta é uma mãe, enérgica quando tem que ser, mas é uma pessoa muito carinhosa. No Bom Samaritano eu durmo bem, a gente se alimenta maravilhosamente bem, somos bem tratadas, vivemos com muita higiene e limpeza, e temos a presença de Deus.

Ela diz que não conhecia a palavra de Deus e não gostava de crentes, mas hoje sua vida mudou. “Quero viver para Jesus, me dedicar ao meu filho, tratá-lo e tirá-lo das drogas também”.

Anete não tem saudade do passado: “Tive uma vida muito glamourosa, mas está melhor agora do que com os holofotes de antes”.

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Comentários

  1. Railan Trindade Farias : outubro 24, 2017 at 11:29 pm

    Deus abençoe Jesus ainda transforma … So quem veio do trafico qui save Como er … TIROS facadas … Armas na cabeça .. Policiais com ordem PRA matar … Mais Deus é fiel.

  2. Emilio Serralha : junho 30, 2015 at 5:29 pm

    Pensamentos De Um Servo Do Senhor Emilio serralha…

  3. Emilio Serralha : junho 30, 2015 at 5:28 pm

    Pensamentos De Um Servo Do Senhor Emilio serralha

  4. Patricia Malagoli : novembro 7, 2014 at 1:28 pm

    Conheci Anete la dentro do Bom Samaritano. Sou ex aluna e hoje to curada. A irmã Roberta é uma benção em nossas vidas e como disse Anete, tbm não gostava de crentes e hoje devo minha vida, minha vitória, minha salvação ao Jesus que os crentes me apresentaram.
    E digo com toda certeza, p largar os vícios mundanos, não bastão remédios, tratamentos, vontade própria…tem que aceitar a Jesus na sua vida só ele salvará a nós e Jesus encontramos com a ajuda desse maravilhoso trabalho que é O Bom Samaritano.

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